Liga dos Ultimos

September 12, 2008 – 10:15 pm | pelo Adminstrador

“Liga do últimos” é a voz dos clubes mais fracos”

“A Liga dos Últimos”, apresentado por Álvaro Costa, tem sido o programa mais elogiado da Farol de Ideias sobretudo pela originalidade da temática. No ano passado ganhou o Prémio de Melhor Programa Desportivo 2005 do Clube Nacional da Imprensa Desportiva (CNID).

Criado no seguimento do “N-Amadores”, que a NTV transmitiu desde a fundação, tanto este como a “Liga” foi criado pelo mentor da Farol de Ideias, Daniel Deusdado, ex-jornalista do Público, que um dia resolveu pôr em prática o sonho empresarial. Daniel Deusdado, também um apaixonado pelo desporto, lembrou-se dos tempos em que ia com o pai ver os jogos das equipas pequenas ao campo do “Progresso” e um dia, já na NTV, ousou entrar no balneário dos “pequenos” e dar-lhes voz. E assim aconteceu o “N-Amadores”. Mas com o desaparecimento da NTV houve a necessidade de adaptar o programa à nova filosofia, e daí a “Liga dos Últimos”. Trata-se de um projecto que percorre o país a dar visibilidade e a palavra aos clubes com dificuldades. Um dos objectivos é dar-lhes brio, incentivá-los a continuar, e simultaneamente, dar a conhecer - na área do desporto - a dimensão do país real.

liga dos ultimos

Com o vencedor encontrado, a crónica, tal como a última jornada do campeonato, ocupa-se dos perdedores, ou seja, da Liga dos Últimos. E os primeiros deles são o Sporting e o Benfica, que disputam hoje o segundo lugar, o tal que dizem ser o primeiro dos últimos.

A cada um o seu campeonato, que há muitos outros para além do principal. E isto de os dois grandes lisboetas estarem novamente entregues ao seu campeonato particular, lembra-nos que o F. C.Porto já é um grande à parte, primeiro entre iguais. Nos últimos 30 anos, os da democracia, acumulou 40 troféus nacionais e seis internacionais, contra apenas 22 caseiros do Benfica e 15 do Sporting.

Liga dos Ultimos

Existe um programa na RTPN que é uma espécie de “filet mignon” das emissões da TV portuguesa. Esse programa é o “Liga dos Últimos”. Serviço público no seu melhor.
Nele se retratam as peripécias de gentes que tentam levar os clubes da sua terra, na base de muita carolice, ao melhor lugar nas competições em entram. No mais puro amadorismo (verdadeiro amadorismo) convergem essas gentes aos campos das terras onde vivem para apoiar os seus jogadores, na sua maioria habitantes da terra e, muitas vezes, seus familiares ou amigos.
Acompanham-se os esforços que alguns dirigentes desenvolvem para manter a chama futebolística acesa na terra que gostam. Como o caso do presidente do Montargilense, clube alentejano da Associação de Futebol de Portalegre, que além de presidente, era também o treinador, o roupeiro, o delegado de jogo, o responsável pela marcação do campo e da limpeza dos balneários das duas equipas nos dias de jogo.
Também se acompanham os comentários dos adeptos mais castiços de Portugal, embora alguns não saiam das imediações do bar. Mas mesmo esses dizem de sua justiça o que acham da equipa, do treinador, das hipóteses de recuperação na tabela classificativa. Algumas pérolas são lançadas das bocas dos adeptos, como o senhor que dizia que só ia à bola para jogar às cartas no bar, com os amigos. Ou o outro que queria que lhe pagassem cachet para prestar declarações, como os do “jet set”, por direitos de imagem.
As crónicas do professor Hernâni Gonçalves, catedrático do futebol, sempre bem humorado, tentando aligeirar os temas apaixonantes do futebol e a comentar os dizeres das gentes entrevistadas.
O totobola das cabeleireiras, das profissionais do corte capilar, tentando adivinhar os resultados de jogos dos regionais.
Assistiu-se ao ?nascimento? de personagens já míticas do panorama televisivo, como o cantor de ópera mais popular, o Nelo Tenor. Homem que cantava (qual Pavarotti) nos campos onde a sua equipa jogava, sempre a divertir as platéias que o ouviam, tal era a sua (digamos assim) originalidade artística.
Este é que é o verdadeiro futebol, vivido com paixão, camaradagem, mas sabendo que o futebol não se esgota nas quatro linhas e o convívio é o mais importante. Claro que os excessos de linguagem são habituais e, por vezes, a temperatura nas bancadas e no campo aumentam bastante, mas no fim tudo acaba bem.
A graça que têm os espectadores já ?tocados?, depois de tanto tempo de barriga encostada ao balcão do bar, tentando eruditizar o seu discurso ao analisar o jogo e as performances da sua equipa no campeonato.
Liga dos Ultimos

E as senhoras!!! Que arreganho, só comparável ao da claque feminina do Nacional da Madeira. Vivem os jogos com uma paixão intensa, chegando a suplantar e abafar os homens da terra no apoio à equipa. Sofrem com os erros arbitrais como se estivessem a ser enganadas na praça pelo vendedor de fruta.
Saltam impropérios de todos os lados dirigidos ao árbitro, muitas vezes seguidos de sorrisos para a câmara dos repórteres do programa. Porque muitos desses impropérios são apenas o estravazar de sentimentos reprimidos pela emoção do jogo, que depois se esvaem e dão lugar a um contentamento de dever cumprido por terem apoiado, à sua maneira, as suas gentes e a sua terra, transportadas nas chuteiras, muitas vezes rotas e velhas, dos seus briosos jogadores.
Por serem os últimos, a derrota quase sempre está ao virar da esquina, mas passou mais uma semana em que tentaram, conviveram, sofreram, riram, sonharam.
E já dizia o poeta: o sonho comanda a vida…
Um bem haja a todas essas gentes…

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